
Existe um momento em que a conversa com um advogado de imigração deixa de ser orientação e vira risco. É quando ele sugere que você conte uma história que não aconteceu, exagere um episódio que aconteceu de outro jeito ou repita um relato que ele mesmo escreveu antes de te ouvir.
Quem diz isso não está encontrando uma saída para o seu caso. Está transferindo um risco criminal para o seu nome, e cobrando por isso.
Este artigo explica por que esse alerta ficou mais urgente, o que mudou na análise dos pedidos de VAWA e como reconhecer a diferença entre um trabalho bem feito e um atalho perigoso.
O VAWA (Violence Against Women Act) permite que uma pessoa que sofreu abuso por parte de cônjuge, pai, mãe ou filho cidadão americano ou residente permanente peça o próprio benefício imigratório, sem depender de quem cometeu o abuso.
Essa independência é o coração do instituto. A pessoa não precisa da assinatura, da colaboração nem do conhecimento do agressor para dar entrada no pedido. Foi assim que o VAWA protegeu, por décadas, quem estava preso em um relacionamento por causa do status imigratório.
E foi exatamente essa característica que atraiu quem quis fraudar. Um processo que se sustenta principalmente no relato da própria pessoa, sem participação da outra parte, virou alvo de profissionais dispostos a inventar relacionamentos abusivos que nunca existiram.
Quem pode pedir VAWA nos Estados Unidos?
Cônjuges, filhos e pais que sofreram abuso praticado por cidadão americano ou residente permanente podem peticionar por conta própria, sem participação do agressor. O benefício se aplica a homens e mulheres, e o abuso reconhecido inclui violência física, psicológica, financeira e coerção.
Processos criminais foram abertos contra advogados que montaram casos falsos de abuso, em estados como Nova York, Massachusetts e Maryland. A resposta do governo não ficou restrita a esses profissionais.
Desde o fim de 2024, o USCIS passou a convocar entrevistas em uma parcela maior de pedidos de VAWA, que antes eram decididos principalmente com base na documentação enviada. A mudança se concentra sobretudo em pedidos apresentados junto com o ajuste de status, quando a pessoa pede o VAWA e a residência ao mesmo tempo.
O efeito recai sobre todo mundo. Quem viveu a situação real passa agora pelo mesmo nível de análise de quem tentou fraudar.
Todo pedido de VAWA passa por entrevista?
Não. A convocação depende do tipo de pedido e da análise que o USCIS faz de cada caso. Pedidos apresentados junto com o ajuste de status têm probabilidade maior de gerar entrevista do que pedidos apresentados isoladamente.
A petição é assinada por você, não pelo escritório. A declaração vai ao governo americano em seu nome, e é a sua palavra que está sendo empenhada.
Um relato construído fora da realidade se desfaz na entrevista. O oficial pergunta detalhes que quem viveu a situação responde sem esforço e quem decorou não sustenta. E as consequências de prestar declaração falsa em um processo imigratório acompanham o histórico da pessoa por muito tempo, inclusive em pedidos futuros que nada têm a ver com esse.
O advogado que sugeriu a mentira responde por conduta profissional e, em alguns casos, criminalmente. Mas o histórico imigratório comprometido é seu.
Ele escreve o seu depoimento antes de te ouvir. Um relato entregue pronto, para você "conferir e assinar", é o sinal mais claro. O depoimento pessoal precisa nascer da sua experiência, com as suas palavras.
Ele sugere ajustar os fatos. Acrescentar um episódio, aumentar a gravidade de outro, mudar uma data para encaixar em um prazo. Qualquer versão disso é o mesmo problema.
Ele promete aprovação. Nenhum advogado sério garante resultado em processo imigratório. Quem promete está vendendo, não analisando.
Ele tem pressa para você assinar. Documentação de VAWA leva tempo para ser reunida. Urgência artificial costuma servir para impedir que você leia o que está assinando.
Ele não te explica o que foi enviado. Você precisa saber exatamente o que consta na sua petição. Se chegar na entrevista sem saber, o problema já está criado.
Um advogado pode escrever meu depoimento de VAWA por mim?
O advogado orienta, organiza e ajuda a estruturar o relato, mas o conteúdo precisa ser a experiência real da pessoa, com as palavras e os fatos dela. Depoimento redigido a partir de um modelo genérico enfraquece o pedido e não se sustenta em entrevista.
A alternativa ao atalho não é um processo mais difícil. É um processo mais cuidadoso.
Escuta antes de documento. O caso começa pela sua história, contada no seu ritmo, sem pressa e sem roteiro.
Documentação construída a partir do que existe. Mensagens, declarações de quem acompanhou de perto, registros médicos, comprovantes de convivência, qualquer registro com data. Não é preciso ter boletim de ocorrência, e a maioria dos casos legítimos não tem.
Depoimento pessoal com suporte, não com substituição. O advogado ajuda a organizar, esclarecer e dar coerência ao relato. O conteúdo é seu.
Preparação para a entrevista. Não é decorar respostas. É entender o processo, saber o que foi apresentado e chegar sem surpresa.
Preciso de boletim de ocorrência para pedir VAWA?
Não. Boletim de ocorrência ajuda, mas não é obrigatório. A maioria dos casos se sustenta em outros elementos: mensagens, declarações de terceiros, registros médicos, comprovantes de convivência e o depoimento pessoal.
O aumento do rigor não enfraquece quem viveu a situação. O que ele elimina é o espaço para trabalho malfeito: petição genérica, depoimento raso, documentação solta, cliente que chega na entrevista sem saber o que foi escrito em seu nome.
Ninguém precisa mentir para ter um caso de VAWA. Quem passou por isso já tem o que sustenta o pedido. O trabalho do advogado é reconhecer, organizar e apresentar, não inventar.
Na Altum Law, cada caso de VAWA começa pela escuta da história real. A documentação é construída a partir do que existe, com atenção à segurança e à confidencialidade de quem pede. E ninguém chega na entrevista sem ter passado pela preparação necessária.
Se você tem dúvidas sobre o seu caso, agende uma conversa. A consulta é confidencial.
O USCIS avisa meu cônjuge que pedi VAWA?
Não. O processo é confidencial por lei. O USCIS não notifica a pessoa apontada como agressora, não pede documentos a ela e não solicita sua participação. Existem regras específicas que protegem essas informações.
O que acontece na entrevista de VAWA?
O oficial do USCIS confirma as informações da petição, faz perguntas sobre o relacionamento e sobre os fatos relatados, e pode pedir esclarecimentos sobre documentos. A pessoa responde com a própria versão dos fatos. Estar acompanhada de advogado é permitido.
Descobri que meu advogado incluiu informação falsa no meu pedido. O que fazer?
Procure imediatamente outro advogado de imigração para avaliar a situação. Existem caminhos para corrigir informação incorreta, e agir antes da entrevista é sempre melhor do que ser confrontado com a inconsistência durante o processo.
Posso trocar de advogado no meio de um processo de VAWA?
Sim. A troca de representação é feita por formulário específico e não exige autorização do advogado anterior. O novo escritório passa a receber as comunicações do USCIS sobre o seu caso.
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